Numa noite ensolarada, céu azul e no período de trancamentos sem ciência alguma, exceto os achismos de governadores e prefeitos de terra brasilis, Rebeldino, no seu quarto, tomando Toddynho dado por papai Beldino, ouvindo um Maiden, aplaudiu a truculência da polícia ao arrastar duas mulheres como se bandidas fossem. Na conversa via zoom com seus amigos do metal, Rebeldino disparou:
- Galera, olha, essas fura quarentena que duvidaram da ciência se deram muito mal. Onde já se viu desrespeitar o decreto do prefeito e do governador, que querem o nosso bem, diferente do Bozo, que defende Cloroquina para lá e para cá, esse homofóbico???
Nisso, um dos amigos de Rebeldino o deixa sem chão:
- Rebeldino, cara, você devia questionar, rapá. Que coisa é essa de aplaudir mulher ser rebocada por policial, cara, ela andando na praia e sem assaltar ninguém. Pensamento único nada tem de rebeldia e concordância cega menos ainda, cara. Caramba, parece que você é robô, Rebeldino, só repete mantra disso e daquilo.
Enfurecido, Rebeldino, num ato de sabedoria de boutique, retruca, mais vermelho que um pimentão:
- Sou rebelde e não sou nem robô de whatsapp e nem gado que fica no maior múúúú. Sou totalmente contra o conservadorismo que sustenta essa sociedade atrasilda patriarcal, seu mané, seu reaça.
No término da conversa, Eriosvaldo, conhecido como Eri, e desde que nasceu era mais inquieto que uma rã, não perdoou e desceu a lenha:
- Sei. Não é robô, mas é politicamente correto. Se diz rebelde, mas segue a risca a quarentena gourmet ditada por governadores e prefeitos que nada sabem, mas adoram mandar. Banca o revoltado, mas apoia o fica em casa, a economia a gente vê depois sem nem piscar. Nunca mandou bala no Irã, mas é contra o patriarcado opressor e blá,blá,blá. Tira a pantufa e acorda pra vida, Rebeldino. Já mandou currículo para aquela empresa que te indiquei?
Nenhum comentário:
Postar um comentário